ESG CORPORATIVO, TECNOLOGIAS E INOVAÇÃO: DESAFIOS EOPORTUNIDADES PARA EMPREENDEDORES PAULISTAS

ESG CORPORATIVO, TECNOLOGIAS E INOVAÇÃO: DESAFIOS E
OPORTUNIDADES PARA EMPREENDEDORES PAULISTAS
FERNANDO LUIS DE ALMEIDA
PÓS-DOUTORADO EM CIÊNCIAS
FERNANDO.ALMEIDA14@FATEC.SP.GOV.BR
ALI PRODUTIVIDADE SÃO PAULO-SP

RESUMO

Este artigo explora as vantagens e limitações da aplicabilidade do modelo Environmental, Social,
and Governance (ESG) – em português: Ambiental, Social e Governança – em diferentes perfis
corporativos dos setores do comércio, serviços e indústria, focando nos micro e pequenos
empresários paulistas. A pesquisa está direcionada na adoção de práticas sustentáveis associadas a
inovações verdes que podem promover a competitividade e a sustentabilidade. Por meio de uma
análise detalhada, destacamos os impactos das práticas ESG e a contribuição do programa ALI
Produtividade Sebrae. O estudo explora o tripé da sustentabilidade (econômico, social e ambiental)
e as complexidades da adoção do ESG no ambiente corporativo, destacando os desafios impostos
pelo neoliberalismo e pelo consumismo exacerbado. Conclui-se que o ESG pode ser uma
ferramenta valiosa para mitigar crises ambientais e sociais; mas, sua eficácia depende de ações
concretas e regulamentações robustas.
Palavras-chave: ESG. Sustentabilidade. Inovação. Tecnologias Sustentáveis. Microempresas. ALI
Produtividade.

1 INTRODUÇÃO
A sustentabilidade e o Environmental, Social, and Governance (ESG) têm ganhado destaque
no cenário global como resposta às crises socioambientais contemporâneas. No entanto, o
capitalismo neoliberal, centrado no consumo exacerbado e no lucro exorbitante, apresenta desafios
significativos para a implementação de práticas sustentáveis genuínas. Segundo Teixeira, Sobrinho
e Reato (2024), o ESG pode ser um catalisador para o consumo sustentável e para mitigar os
impactos nefastos do neoliberalismo.

O desenvolvimento sustentável da economia e da sociedade globais exige
desafios de questões ambientais (E), sociais (S) e de governança (G). O
tema do desenvolvimento sustentável e abrangente tornou-se um assunto de
discussão em todo o mundo, em resposta aos problemas de desenvolvimento
sustentável cada vez mais graves no meio ambiente, na sociedade e no
mercado financeiro. (Souza; Kuniyoshi; Freitas, 2022).

Nos últimos anos, o conceito de sustentabilidade tem sido cada vez mais adotado pelas
empresas como parte de sua estratégia para se manterem competitivas em um mercado global cada
vez mais exigente. O modelo ESG surge como uma estrutura abrangente que visa promover práticas
empresariais mais responsáveis, ao mesmo tempo em que permite às empresas alcançarem
resultados positivos tanto em termos econômicos quanto sociais e ambientais (Silveira, 2017).

O neoliberalismo incentiva o consumismo, aumentando a pressão sobre os recursos naturais
e agravando as desigualdades sociais. Esse modelo econômico muitas vezes impede a adoção de
práticas sustentáveis, ao priorizar lucros sobre questões socioambientais. A desregulamentação e o
incentivo ao consumo exacerbado criam desafios adicionais para a sustentabilidade (Teixeira;
Sobrinho; Reato, 2024).
O consumo sustentável é apresentado como uma resposta à crise civilizatória gerada pelo
modelo econômico vigente. Ele implica escolhas conscientes que minimizem impactos
socioambientais, promovendo a preservação do meio ambiente e uma economia mais justa. Políticas
públicas, educação e regulamentações são essenciais para incentivar hábitos de consumo mais
responsáveis (Teixeira; Sobrinho; Reato, 2024).

1.1 O ESG Corporativo e a Sustentabilidade
O ESG é amplamente adotado por empresas como uma estrutura para avaliar e gerenciar
impactos ambientais, sociais e de governança. No entanto, há críticas de que muitas empresas
utilizam o ESG apenas como uma ferramenta de marketing, com pouca ou nenhuma mudança
concreta. Apesar disso, vários estudos mostram que empresas que implementam práticas ESG têm
maiores chances de se destacar no mercado, especialmente, quando os consumidores estão cada vez
mais preocupados com a sustentabilidade. A adoção de práticas responsáveis no âmbito do ESG
tem o potencial de criar vantagens competitivas, melhorar a reputação corporativa e fortalecer as
relações com stakeholders (Shen et al., 2023).
A incorporação do ESG nas microempresas é mais do que uma tendência — é uma resposta
inteligente aos desafios que o mundo enfrenta em termos de mudanças climáticas, desigualdades
sociais e governança corporativa. Para os microempresários da Grande São Paulo, que atuam em
um mercado competitivo e dinâmico, adotar práticas ESG pode ser um diferencial importante,
promovendo não só a sustentabilidade dos negócios; mas, também a atração de novos clientes e
parceiros (Desenvolve SP, 2022).
Empresas que adotam práticas ESG têm um impacto direto na melhoria de sua rentabilidade.
Isso ocorre principalmente pela redução de custos operacionais (por exemplo, através de
tecnologias que otimizam o uso de recursos); mas, também pela criação de novos fluxos de receita
gerados pela diferenciação no mercado. Empresas com boas práticas ESG atraem consumidores e
investidores preocupados com o impacto ambiental e social das suas operações (Desenvolve SP,
2022).
Ademais, a adoção de uma governança corporativa responsável fortalece a imagem da
empresa, construindo uma reputação sólida e confiável. Isso pode ser um ativo importante para

microempresas que buscam se expandir e conquistar novos mercados (Serviço Brasileiro de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas, 2023b).

1.2 A Inovação e o Papel das Tecnologias Digitais na Aplicabilidade do ESG
Avanços tecnológicos desempenham um papel crucial na condução da inovação ESG. A
inteligência artificial (IA) e a transformação digital permitem que as empresas analisem grandes
volumes de dados, levando a decisões informadas e uso eficiente de recursos. Por exemplo, a IA
pode prever impactos ambientais, otimizar cadeias de suprimentos e aprimorar processos de
desenvolvimento de produtos (Chen et al., 2024).
Para as empresas que implementam o modelo ESG de forma eficaz, é fundamental adotar
algumas estratégias-chave (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, 2023a):
● Capacitação e educação. Participar de programas de capacitação e workshops sobre
sustentabilidade e inovação, é essencial para que os microempresários possam
adquirir habilidades tecnológicas e necessárias para adotar práticas ESG.
● Parcerias estratégicas. Formar parcerias com instituições de apoio, como o Sebrae e
outras entidades de fomento à inovação, é crucial para garantir o acesso a recursos
financeiros, conhecimento técnico e consultoria especializada.
● Inovação verde. Os sistemas de energia renovável (solar, eólica, entre outros)
associados a soluções para reciclagem de resíduos e automação inteligente de
processos, são algumas das mais eficazes para reduzir os impactos ambientais das
microempresas e melhorar a eficiência energética reduzindo os custos operacionais.
● Investimento em tecnologias sustentáveis. Adoção de tecnologias da automação e
tecnologias digitais, que não apenas contribuem para a sustentabilidade, mas também
melhoram a produtividade e reduzem, ao longo prazo, os custos variáveis.
● Engajamento social e governança. Implementação de práticas transparentes de
governança, com foco em responsabilidade social e ambiental, ajudam as
microempresas no fortalecimento da marca e da reputação de mercado.
A inovação tecnológica desempenha um papel crucial na implementação de práticas ESG.
Para as microempresas, a adoção de novas tecnologias não é apenas uma maneira de melhorar a
eficiência; mas, também uma forma de se alinhar aos objetivos de sustentabilidade e
responsabilidade social (Chen et al., 2024).
A inovação tecnológica também pode gerar um impacto social positivo, alinhado às práticas
ESG. O uso de tecnologias como plataformas digitais e aplicativos de gestão ajuda as
microempresas a se conectarem com suas comunidades, criando novos produtos e serviços que
atendem às necessidades locais, ao mesmo tempo em que contribuem para o bem-estar social; neste

sentido, as microempresas a se alinharem com as tendências globais e a se tornarem mais
competitivas (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, 2023b).
Inovação Ambiental. Adotar práticas ambientalmente amigáveis não apenas reduz o impacto
ecológico, mas também abre caminhos para a inovação. Por exemplo, empresas estão investindo em
fontes de energia renovável, tecnologias de redução de resíduos e cadeias de suprimentos
sustentáveis. Essas iniciativas não só contribuem para a preservação ambiental, mas também
resultam em economia de custos e eficiência operacional. A integração de IA e blockchain aprimora
esses esforços ao otimizar a gestão de recursos e reduzir desperdícios (Chen et al., 2024).
Inovação Social. Abordar questões sociais por meio da inovação é um aspecto fundamental
do ESG. As empresas estão desenvolvendo soluções para melhorar o acesso à saúde, educação e
desenvolvimento comunitário. Essa abordagem não apenas beneficia a sociedade, mas também abre
novos mercados e segmentos de clientes. Por exemplo, a adoção de telemedicina e tecnologias de
inclusão financeira expandiu serviços para populações carentes (Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas, 2023a).
Inovação em Governança. Estruturas de governança fortes são essenciais para implementar
estratégias ESG eficazes. Inovações em governança incluem a adoção de práticas transparentes de
relatórios, estruturas éticas de tomada de decisão e processos de engajamento de stakeholders. Essas
práticas constroem confiança com investidores, clientes e funcionários, levando a uma reputação
aprimorada e sustentabilidade a longo prazo (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas, 2023a).
Além disso, o uso de ferramentas de gestão inteligente, como o Big Data e a Internet das
Coisas (IoT), permite que as microempresas monitorem e otimizem seu consumo de energia, água e
outros recursos, gerando ganhos de eficiência operacional e reduzindo desperdícios (Chen et al.,
2024).

1.3 O Papel do Programa ALI Produtividade Sebrae
Uma das principais vantagens para as microempresas que buscam implementar práticas ESG
é o acesso a programas de apoio; por exemplo, o programa Agente Local de Inovação (ALI)
Produtividade Sebrae. Este programa é uma excelente ferramenta para ajudar os microempresários a
melhorar a gestão de seus negócios e adotar práticas de inovação que atendam aos princípios ESG
(Mattos; Silva, 2024).
Por meio dos agentes, o programa ALI Produtividade Sebrae foca em aumentar a eficiência
das microempresas usando tecnologias na otimização de processos e estratégias de sustentabilidade.
Com o apoio adequado, as microempresas podem se tornar protagonistas em inovação sustentável,
gerando impacto social, ambiental e econômico positivo (Mattos; Silva, 2024).

Empresas que participam desse programa conseguem superar barreiras iniciais, como a falta
de conhecimento técnico e a dificuldade de acesso a financiamento para inovações. Além disso, o
programa oferece soluções práticas para implementar processos ESG, desde a gestão de resíduos até
a melhoria da eficiência energética. Esses benefícios ajudam as microempresas a se tornarem mais
competitivas e sustentáveis a longo prazo. Desta forma, o programa ALI Produtividade Sebrae
oferece uma base sólida para que as microempresas superem desafios e alcancem resultados
sustentáveis, melhorando a eficiência operacional e imagem das empresas.
Um exemplo notável é a participação de microempresas da região na Feira do
Empreendedor 2024, organizada pelo Sebrae-SP. Empresas como essas não só destacaram suas
inovações tecnológicas; mas, também mostraram como práticas ESG podem ser integradas aos seus
modelos de negócios para promover um impacto socioambiental positivo (Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas, 2024).
Por fim, o artigo objetiva demonstrar os impactos das práticas ESG e a contribuição do
programa ALI Produtividade Sebrae; desta forma, explora os principais vantagens dessa integração,
os impactos positivos observados em empresas que adotaram o ESG no ambiente corporativo e
como a inovação e as tecnologias digitais têm sido catalisadoras deste processo a partir do tripé da
sustentabilidade (econômico, social e ambiental) e dos desafios impostos pelo neoliberalismo e pelo
consumismo exacerbado.

2 DESENVOLVIMENTO
Nesta seção de “Desenvolvimento”, primeiramente, apresenta-se uma “Revisão da Literatura”
abordando o modelo ESG corporativo integrado às tecnologias e à inovação no contexto do
programa ALI Produtividade Sebrae, incluindo o referencial teórico e o estado da arte. Na
sequência, relata-se a “Metodologia” para obtenção dos resultados desta pesquisa; por fim,
descreve-se a “Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados”, demonstrando os principais
impactos advindos do nosso estudo.

2.1 Revisão de Literatura
O uso de tecnologias digitais, como sistemas de monitoramento por etiquetas de RFID
(identificação do material), códigos de barras, chips integrados / sensores internet of things (IoT),
do português internet das coisas, e análise de dados em tempo real por inteligência artificial tem
revolucionado a logística reversa (Bernardo; Souza; Demajorovic, 2020). Wu et al. (2023)
reportaram a implantação de redes neurais convolucionais aplicando machine learning e deep
learning em processos de reciclagem.

Os sistemas de gerenciamento baseados em software são desenvolvidos para ajudar na
organização e controle de todas as etapas da produção e do negócio. Esses sistemas podem incluir
funcionalidades como rastreamento de inventário, gerenciamento de estoque, planejamento de rotas
de coleta e relatórios de conformidade regulatória. A IA e o aprendizado de máquina estão sendo
utilizados para otimizar processos, como a classificação e separação de materiais (Wu et al., 2023).
Algoritmos de IA podem analisar imagens de resíduos eletrônicos e identificar automaticamente os
diferentes tipos de materiais presentes, tornando o processo de separação mais eficiente e preciso
(Wu et al., 2023).
Essas tecnologias digitais estão desempenhando um papel cada vez mais importante na
transformação da indústria de reciclagem de resíduos eletrônicos, tornando os processos mais
eficientes, sustentáveis e transparentes. À medida que a tecnologia continua a evoluir, é provável
que novas inovações surjam para enfrentar os desafios crescentes associados à gestão dos resíduos
eletrônicos (Jiang et al., 2023).

2.2 Metodologia
Neste estudo, o ESG corporativo foi fundamentado a partir de uma pesquisa quantitativa de
análise crítica pelo método qualitativo na coleta de dados publicados em revistas científicas da área.
Portanto, os métodos e técnicas são apresentados, descrevendo o procedimento experimental para a
obtenção e análise dos resultados.
A partir das bases de dados científicos Scopus, Google Acadêmico, SciELO e Web of Science
palavras-chave em português “ESG”, “ESG Corporativo”, “sustentabilidade”, “inovação verde”,
“tecnologias digitais” e palavras-chave em inglês “ESG”, “Corporate ESG”, “sustainability”, “green
innovation”, “digital technologies”. Foram levantados mais de 340 artigos científicos, dissertações e
teses; artigos de revisão publicados no período de 2020 a 2024.
Neste cenário, foram selecionadas e analisadas mais de 50 referências que abordaram o ESG
corporativo e as tecnologias digitais, incluindo a otimização de processos e a promoção da
sustentabilidade. Neste sentido, como hipótese deste estudo, o autor defende que a implementação
de políticas ESG em ambientes corporativos permite a adoção de práticas sustentáveis associadas às
inovações verdes, promovendo a reputação, competitividade e a sustentabilidade do negócio.
O artigo intitulado “ESG corporativo, tecnologias e inovação: desafios e oportunidades para
empreendedores da grande São Paulo” apresenta uma análise quantitativa dos dados à luz da
ciência, da legislação vigente e da metodologia ALI Produtividade Sebrae e atuação dos agentes,
considerando uma amostra bruta com 2.386 empresários paulistas dos setores do Comércio, Serviço
e Indústria dos quais 798 empresários concluíram o programa ALI Produtividade Sebrae e o uso de
tecnologias digitais, inovação verde e a incorporação do ESG no ambiente corporativo.

Por fim, apresenta-se o procedimento que norteou a pesquisa relatada neste artigo, a saber:
● Na seção introdução do artigo, abordou-se, pela perspectiva nacional, a temática do ESG
corporativo e a sustentabilidade, da inovação e o papel das tecnologias digitais na
aplicabilidade do ESG e o papel do programa ALI Produtividade Sebrae. Por fim,
apresenta-se o objetivo deste estudo.
● Na seção desenvolvimento, uma ampla revisão da literatura foi explorada delimitando o
referencial teórico e o estado da arte com relação ao ESG corporativo e ao programa ALI
Produtividade Sebrae entre os anos de 2023 e 2024; deste modo, promovendo a
produtividade, a reputação laboral e competitividade e a inovação verde no contexto da
sustentabilidade.
● Na apresentação e discussão dos resultados, demonstra-se os principais impactos
advindos do nosso estudo, incluindo a análise dos dados das empresas participantes do
programa ALI Produtividade Sebrae e da implantação do ESG corporativo.
● Na conclusão do artigo, articula a importância do ESG como uma ferramenta estratégica
para promover a sustentabilidade corporativa; mas, sua eficácia está relacionada com a
política de conformidade das empresas e das políticas públicas que possibilitam sua
aplicação prática.

2.3 Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados
Nos últimos anos, a implementação do modelo ESG nas microempresas da Grande São Paulo
oferece uma série de oportunidades de crescimento sustentável. Embora existam desafios, como a
falta de recursos e de conhecimento técnico, a integração das práticas ESG nas estratégias
empresariais pode melhorar significativamente a competitividade das microempresas, tornando-as
mais inovadoras e alinhadas às demandas do mercado.
As 798 empresas foram divididas pelo setor de atuação, a saber: 337 empresas de serviços,
285 comércio e 176 indústrias. O Quadros 01 apresenta o diagnóstico inicial para as práticas de
inovação.
Quadro 01 – Empresas para cada nota obtida no diagnóstico inicial a partir da aplicação do radar ALI Produtividade.

Práticas de Inovação – Inicial

Setor 1 2 3 4 5
Serviços (337) 56 97 93 64 27
Comércio (285) 50 73 92 54 16
Indústria (176) 23 49 53 40 11
Fonte: próprio autor.

O Quadros 02 apresenta o diagnóstico final para as práticas de inovação.
Quadro 02 – Empresas para cada nota obtida no diagnóstico final a partir da aplicação do radar ALI Produtividade.

Práticas de Inovação – Final

Setor 1 2 3 4 5
Serviços (337) 42 65 77 98 55
Comércio (285) 30 58 78 69 50
Indústria (176) 19 33 37 58 29
Fonte: próprio autor.
43,35 % das empresas, que concluíram o programa ALI Produtividade Sebrae, tiveram uma
evolução nas práticas de inovação, quando se compara o Quadro 01 com o Quadro 02. Se o
percentual fosse calculado a partir da amostra total, a representação da evolução das práticas de
inovação seria de 14,50 %.
O Quadros 03 apresenta o diagnóstico inicial a respeito das práticas sustentáveis que
dialogam com as políticas ESG.
Quadro 03 – Empresas para cada nota obtida no diagnóstico inicial a partir da aplicação do radar ALI Produtividade.

Práticas Sustentáveis – Inicial

Setor 1 2 3 4 5
Serviços (337) 67 125 111 30 4
Comércio (285) 83 108 67 22 5
Indústria (176) 47 52 53 23 1
Fonte: próprio autor.
O Quadros 04 apresenta o diagnóstico final a respeito das práticas sustentáveis.
Quadro 04 – Empresas para cada nota obtida no diagnóstico final a partir da aplicação do radar ALI Produtividade.

Práticas Sustentáveis- Final

Setor 1 2 3 4 5
Serviços (337) 65 97 96 61 18
Comércio (285) 61 97 66 43 18
Indústria (176) 39 47 47 33 10
Fonte: próprio autor.

13,90 % das empresas, que concluíram o programa ALI Produtividade Sebrae, tiveram uma
evolução nas práticas sustentáveis que permite avaliação dos primórdios para a adoção de modelos
ESG, quando se compara o Quadro 01 com o Quadro 02. Se o percentual fosse calculado a partir da
amostra total, a representação da evolução das práticas de inovação é de 4,65 %.
5,76 % das empresas estudadas após um ciclo de atendimento ALI Produtividade Sebrae
obtiveram nota máxima no diagnóstico final do radar de inovação (ou seja nota igual a 5). Desse
percentual, 0,63 % permaneceram com a nota máxima; pois, mantiveram nota 5 quanto no
diagnóstico inicial e final. Neste grupo de análise, estavam 1 empresa do setor do comércio, 1
indústria e 3 empresas do setor de serviços.
55,26 % das empresas estudadas ficaram estagnadas. Sabe-se que 1,25 % já eram de
empresas com nota máxima 5. Sendo que 12,91 % das empresas retrocederam, ou seja, obtiveram
nota menor no diagnóstico final do radar de inovação em relação ao diagnóstico inicial. Portanto, na
maior parte das empresas o programa ALI Produtividade Sebrae não contribuiu para o avanço
quanto às práticas sustentáveis.
Das 798 empresas, 111 tiveram evolução no âmbito das práticas sustentáveis e 49 empresas
tiveram a correlação com a evolução junto às práticas de inovação, que representa 2,05 % da
amostra total das empresas que receberam acompanhamento dos agentes do programa ALI
Produtividade entre 2023 e 2024 e 6,14 das empresas que concluíram com a mensuração de
produtividade inicial e final. Quando as práticas sustentáveis são correlacionadas com as práticas de
inovação, incluindo as empresas estagnadas, o número sobe de 49 para 161 que representa 20,17 %
da amostra com as empresas concluintes do programa ALI Produtividade Sebrae.
Por outro lado, quando esse percentual é analisado pela abordagem qualitativa, há um ponto
de atenção; pois, buscando separadamente por palavras-chave em “tecnologia”, “inovação”,
“técnicas”, “sustentáveis”, “social”, “governança”, “meio-ambiente” ou “simulação”, somente uma
menção que correlaciona as práticas de inovação e práticas sustentáveis, a saber: “Atendimento de
bebidas – Simulação – Inovação em processo – Alteração de layout”.
Neste sentido, os dados comprovam que há um impacto positivo quando se adota práticas
ESG no ambiente corporativo. A contribuição do Sebrae-SP e dos agentes ALI Produtividade tem
sido essencial para orientar os microempresários, da região metropolitana de São Paulo, na adoção
de práticas sustentáveis, fornecendo um acompanhamento metodológico com a aplicação de
ferramentas de gestão, marketing e finanças; desta forma, inovar e otimizar seus processos.
Portanto, com o apoio do Sebrae, essas empresas têm uma excelente oportunidade de
integrar o ESG em seus processos de forma eficaz. Os micro e pequenos empresários paulistas, que
representam uma parte significativa da economia local, enfrentam muitos desafios na
implementação dessas práticas sustentáveis devido a limitações de recursos e conhecimento.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O ESG é uma ferramenta estratégica importante para promover a sustentabilidade
corporativa; mas, sua eficácia depende de um compromisso genuíno das empresas na implantação
das práticas de gestão baseada no social, governança e meio ambiente e de políticas públicas que
garantam sua aplicação prática; além de recursos tecnológicos e financeiros para a implantação de
soluções combinadas entre a inovação e as práticas sustentáveis.
Incorporar os princípios ESG nos modelos de negócios não é apenas uma exigência de
conformidade, mas uma abordagem estratégica para fomentar a inovação e garantir o sucesso a
longo prazo. Tal afirmação, pode ser comprovado pelas 111 empresas que implantaram práticas
sustentáveis, sendo que 49 empresas delas práticas de inovação, que representa 2,05 % da amostra
total das empresas que receberam acompanhamento dos agentes do programa ALI Produtividade
entre 2023 e 2024 e 6,14 das empresas que concluíram com a mensuração de produtividade inicial e
final.
O consumo sustentável e práticas de inovação, por sua vez, podem mitigar os impactos
negativos do neoliberalismo, mas exigem mudanças significativas no comportamento de
consumidores e produtores. Ao abraçar inovações ambientais, sociais e de governança, as empresas
podem criar valor e contribuir para um futuro sustentável.

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